O blog "O colecionador de botões e a menina que gostava de mapas remendados" está vinculado ao Grupo de Pesquisas e Estudos em Geografia da Infância- GRUPEGI, ao Laboratório de Cartografia e Geotecnologias com Crianças e Escolares (CNPq/FAPEMIG/UFF-UFJF) e faz parte do projeto Cartografia com Crianças: Ensino, Pesquisa e Extensão.
Vejam esses dois trabalhos que envolvem os sons do mundo, são materiais incríveis envolvendo as Cartografias Sonoras!
- Aporee.org - Acesse os sons do mundo inteiro, inclusive do Brasil.
Fonte: https://aporee.org/
Entre AQUI na página do projeto e navegue pelos sons, pode ser pelos locais presentes na página inicial ou, ainda, pelos mapas (permite as buscas dos lugares). Veja um exemplo na imagem a seguir:, ela traz sons da região das barcas em Niterói/RJ (clique na imagem).
- Rádio. Garden - Acesse rádios do mundo inteiro, inclusive do Brasil.
Fonte: http://radio.garden/live/
Entre AQUI e escute as diferentes rádios, basta clicar em um dos pontos disponíveis no globo terrestre.
O curso de formação e extensão desenvolvido com as professoras e os professores da rede municipal de Juiz de Fora tem levado a muitas atividades envolvendo a Cartografia com as Crianças. Agradecemos os envios e as possibilidades de compartilhar os trabalhos com todos.
Trabalho desenvolvido na SE - Juiz de Fora/MG, Setor de creches. DEI/SC. Desenvolvimento para Formação de Professores (2018):
Trabalho desenvolvido na E. M. Lions Centro
Professora Patrícia de Souza Silva
Cenário do livro A dona onça e as onze patinhas
Alunos de 4 e 5 anos:
Trabalho desenvolvido na E.M. Presidente Tancredo Neves
Como você imagina que são as paisagens dessa cidade? Algumas descrições aparecem no livro! Muitas são para imaginar! Fico pensando como seriam as flores dessa árvore:
"Em cada lado da loja torta, bem retas, posicionadas um pouco mais à frente, havia duas árvores, bem diferentes das demais que se encontravam naquela região. Tinham folhas verdes, com tons que iam lentamente tendendo para o azul em suas bordas, e frutos de cor bem roxa. Tinham formas de pingentes com uma face lisa, com pontos pretos e brancos em sua parte mais fina. Brotavam o ano inteiro."
Tenho algumas fotos de flores que penso estão presentes na cidade! Se tiver fotos desse local é só mandar que tentaremos publicar. Manda com o nome completo e a idade! As seguir eu mesmo que fiz:
Diz a lenda que, no começo do mundo, a Lua era um deus que sempre se escondia por trás das serras para namorar as jovens mais lindas das aldeias indígenas. A lenda diz também que, quando a Lua se enamorava, transformava a jovem por quem estava apaixonada em estrela e a levava para junto dela, no céu.
Em uma aldeia havia uma jovem guerreira chamada Naiá, muita linda, que se apaixonou pela Lua e sonhava em ir com ela para o céu. Todas as noites, enquanto seu povo dormia, Naiá subia as colinas esperando pela Lua, na esperança de virar estrela e seguir com ela para o céu. Mas a Lua parecia não notar a paixão de Naiá, que virou obsessão.
A obsessão de Naiá era tanta que chegou a um ponto em que a jovem não queria nem comer nem beber mais nada, só admirar a Lua. À noite, Naiá saía pela floresta soluçando e clamando pelo amor do deus Lua. Em uma dessas noites, Naiá viu a Lua refletida nas águas de um lago e pensou que era o próprio deus que se banhava ali, bem perto dos seus olhos.
Emocionada, Naiá jogou-se no lago, na direção em que via sua paixão, e não mais voltou. Comovido por tanto amor, o deus Lua recompensou Naiá, transformando-a em uma estrela diferente: Naiá virou uma linda vitória-régia, a “estrela das águas”, cujas lindas flores são brancas durante a noite e tornam-se rosadas com o nascer do dia.
A partir da narrativa da história, foi montada uma maquete. Uma forma de registrar o espaço em 3 dimensões. A partir da maquete trabalhamos com sua planificação, na visão frontal, oblíqua e vertical.
Outras histórias que também trabalhamos
LENDA DAS CATARATAS
Conta-se que os índios Caigangues, habitantes das margens do Rio Iguaçu, acreditavam que o mundo era governado por M'Boy, um deus que tinha a forma de serpente e era filho de Tupã. Igobi, o cacique dessa tribo, tinha uma filha chamada Naipi, tão bonita que as águas do rio paravam quando a jovem nelas se mirava. Devido à sua beleza, Naipi era consagrada ao deus M'Boy, passando a viver somente para o seu culto. Havia, porém, entre os Caigangues, um jovem guerreiro chamado Tarobá que, ao ver Naipi, por ela se apaixonou. No dia da festa de consagração da bela índia, enquanto o cacique e o pajé bebiam cauim (bebida feita de milho fermentado) e os guerreiros dançavam, Tarobá aproveitou e fugiu com a linda Naipi numa canoa rio abaixo, arrastada pela correnteza. Quando M'Boy percebeu a fuga de Naipi e Tarobá, ficou furioso. Penetrou então as entranhas da terra e, retorcendo o seu corpo, produziu uma enorme fenda, onde se formou a gigantesca catarata. Envolvidos pelas águas, a canoa e os fugitivos caíram de grande altura, desaparecendo para sempre. Diz a lenda que Naipi foi transformada em uma das rochas centrais das cataratas, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas. Tarobá foi convertido em uma palmeira situada à beira de um abismo, inclinada sobre a garganta do rio. Debaixo dessa palmeira acha-se a entrada de uma gruta sob a Garganta do Diabo onde o monstro vingativo vigia eternamente as duas vítimas.
"Entre praias, pés de ameixa, jabuticaba, montanhas, ruas, videogames, caixa de correios, parquinhos, mimeógrafo e a casa da vó, há uma imensidão de memórias que despertam emoções. Emoções que ativaram lágrimas… Cada lágrima são lembranças da vida... coleção de lugares, cheiros e sabores. Essa foi a oficina “Mapas vivenciais: cartografia com crianças” oferecida pela querida Sara para a Semana de Acolhimento e Integração da Faced. Que oficina! Que delicadeza e sensibilidade sua, Sara! Contemplar as memórias outras, desenhar e narrar as nossas transformaram a sala 18 em uma máquina do tempo e um recanto de saudades. E nessa dança de contemplar, desenhar e narrar, mergulhamos nas profundezas de um mar com lembranças longínquas… para um (re)encontro de si, (re)descoberta do tempo, (re)encontro de lugares… recuperação da nossa existência e de momentos e lugares que marcaram a gente. O que dá sentido para nós? Nossas vivências… nosso cotidiano, nossos momentos que, ao longo do nosso percurso, marcam a gente em nossa singularidade. Sara, muito obrigada por oferecer essa oficina maravilhosa e encantadora. Gratidão por me fazer sentir e refletir". (Talita Toschi)
"Na manhã de hoje, tive a grata oportunidade de participar de uma oficina sobre "Mapas vivenciais" onde pudemos pensar sobre a importância de considerar a vivência e a relação da criança com o espaço dentro da disciplina de Geografia, fizemos uma atividade que nos levou pra lugares saudosos e marcados por muita afetividade. Ah, minha infância... quantos lugares e pessoas especiais, quantos cheiros e formas que carrego e carregarei comigo sempre, e o quanto esses pedaços me constituem, como fazem parte da pessoa que sou e que venho me tornando. Ao chegar em casa me pus a refletir e a sentir novamente a experiência da atividade e, como sempre acontece ao visitar o passado, veio a lembrança boa de meu pai e a saudade se fez em forma de amor que transborda os olhos, de repente me peguei ali, lembrando de um momento mágico em nossa infância, minha e de meu irmão e esse momento se fez reviver no caminhão de caixinha de pasta de dente, um dos brinquedos que meu pai fazia e que de tão singelo e puro tanto nos encantava, bastava abrir uma pasta de dente nova pra ali ficarmos por minutos juntos, construindo um brinquedo novo. E agora estou aqui pensando no quanto o curso de pedagogia tem me proporcionado reviver momentos como esse, e no tamanho da importância de que nós professores possamos proporcionar aos nossos alunos esses momentos, da importância de percebermos que eles são sujeitos construídos por marcas, sentimentos e histórias. Gratidão pelo dia de hoje". (Fabiana Gabriel)
Relatos da oficina
Entre os dias 17 e 19 de abril, aconteceu a Semana de Acolhimento e Integração da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora. O Grupegi (Grupo de Pesquisa e Estudos em Geografia da Infância) ofereceu uma oficina de Mapas Vivenciais refletindo sobre o trabalho da "Cartografia Com". As atividades se iniciaram com o debate sobre o conceito de Vivência (Perejivanie) desenvolvido por Vigotski, foi seguida da leitura e discussão do livro O menino que colecionava lugares, de Jader Janer. Após a leitura, os participantes foram convidados a pensar em sua própria coleção de lugares da infância. Depois foi exibido o curta metragem A Casa de Pequenos Cubinhos. A partir daí, todos confeccionaram um mapa de suas vivências infantis. A oficina foi conduzida por Sara de Paula.
O trabalho com origami é um recurso para as vivências espaciais com as crianças!
Esse foi um que fizemos....não é só a cognição espacial que se envolve nessa atividade, mas muitos histórias e geografias de outros povos...já leu sobre o Tsuru?
Olhando o botão branco....continuamos a ver as Cartografias dos Mundos....
“A palavra “sertão” é
curiosa. A sonoridade sugere o verbo “ser” numa dimensão empolada. Ser tão,
existir tanto. Os portugueses levaram a palavra para África e tentaram nomear
assim a paisagem da savana. Não resultou. A palavra não ganhou raiz. Apenas nos
escritos coloniais antigos se pode encontrar o termo “sertão”. Quase ninguém
hoje, em Moçambique e Angola, reconhece o seu significado.
João Guimarães Rosa
criou este lugar fantástico, e fez dele uma espécie de lugar de todos os
lugares.(...) O sertão é um mundo construído na linguagem. “O sertão”, diz ele,
“está dentro de nós.” Rosa não escreve sobre o sertão. Ele escreve como se ele
fosse o sertão.
Em Moçambique nós
vivíamos e vivemos ainda o momento épico de criar um espaço que seja nosso, não
por tomada de posse, mas porque nele podemos encenar a ficção de nós mesmos,
enquanto criaturas portadoras de História e fazedoras de futuro. Era isso a
independência nacional, era isso a utopia de um mundo sonhado.” ( Mia Couto em Se Obama fosse Africano)
"O que vê? Me conte! - Uma paisagem branca, estrelas em um céu escuro e muitas pessoas com muitas roupas. Só consigo ver parte de seus rostos. Tudo está tampado, deve ser por causa do frio. É um lugar bem diferente daqui. Tá muito, muito frio por lá! - Comentou a garota, arrumando o botão em seu próprio olho. - É um lugar frio sim, são pessoas que moram em uma das curvas que o mundo tem - disse o botãoeiro. A menina continuou a falar: - Eles também usam mapas, mas parecem ser de madeira, feitos em algum tipo de pau, deve ser de alguma árvore, não consigo ver direito. Alguns caminham e outros navegam, as águas estão geladas, tem até pedaços de gelo flutuando. - Mapas podem ser de madeira também. Assim como os botões. O importante é que são mapas, não é? É bom pensar os mapas pelos lugares, assim compreendemos tanto as diferenças que estão no mundo e que nos fazem - sorriu o botãoeiro. - Olhar pelos botões é muito bom! - Falou a menina muito empolgada. - As bonecas e os bonecos de pano também gostam. Muitas coisas são possíveis com os botões. Mas nem todos olham os mapas como nós - argumentou o homem, com o olhar agora mais vago, vazio - E o que mais consegue olhar? - Há muitas cores no céu, brilhos que ficam dançando. É como um caleidoscópio - falou ela com grande empolgação. O botão foi retirado do olho da menina e o homem ruivo comentou: - Ótima ideia, botões são maravilhosos para se fazer caleidoscópio, principalmente os pequeninos. Podemos fazer um para olhar, para ver o brilho e as cores que o céu desses lugares tem."
A partir do livro discutimos outras formas de registrar os espaços geográficos, as diferentes cartografias, as paisagens diferenciadas no mundo! Refletimos sobre a Cartografia Inuit, sobre Auroras e como fazer caleidoscópios, caleidosciclos...e muitas coisas... veja um pouco dos nossos trabalhos.